Em entrevista, Pizarro fala de seu tempo no Bayern e seus planos para o futuro

Pizarro sendo homenageado na Allianz Arena; Foto/Divulgação: fcbayern.de

Depois de nove anos, 326 partidas oficiais e 125 gols marcados, Claudio Pizarro se despediu oficialmente do FC Bayern neste sábado (29). Mas, antes do “adeus” na Allianz Arena, o peruano participou de uma entrevista para o site oficial do time. Em uma conversa exclusiva, o atleta de 36 anos falou sobre momentos marcantes com o clube e seus planos. Chamado de moleque por Uli Hoeneß e considerado o melhor companheiro de campo para Mehmet Scholl, o atacante comentou sobre temas pessoais e profissionais, sempre com seu lado descontraído que já virou marca registrada.

Confira a tradução da entrevista na íntegra:

fcbayern.de: Olá, Claudio! Bem-vindo de volta a Säbener Straße. Como se sente estando de volta aqui pela primeira vez após mais de três meses?

Pizarro: É bem diferente vir aqui quando não é para treinar, mas para dizer “olá” aos antigos companheiros. Mas eu sabia que esse dia chegaria em algum momento, então eu já estava preparado para isso. Fico feliz por voltar a ver meus amigos e desejar a eles o melhor.

fcbayern.de: Como são seus dias atualmente?

Pizarro: Eu me mantenho em forma. Eu vou correr na floresta. Eu ainda quero jogar mais, mas ainda não chegou a proposta certa. Assim, aproveito meu tempo com minha família. Apenas a bola, aos poucos, me faz falta. Sinto falta disso, de estar em campo e treinar. Espero chegar logo uma decisão que me permita continuar.

fcbayern.de: No sábado à noite você vai voltar à Allianz Arena, onde se despedirá oficialmente de 75 mil torcedores. O que isso significa para você?

Pizarro: Muitíssimo. Eu joguei durante muito tempo para o Bayern de Munique, por isso a despedida é algo muito especial para mim. Além disso, eu até agora não tive uma oportunidade para dizer “adeus” a todos. Realmente, estou muito satisfeito.

fcbayern.de: Mehmet Scholl disse uma vez que você foi o melhor jogador com quem ele havia jogado. Isso te faz sentir orgulho?

Pizarro: Claro! Mehmet era um jogador muito bom, um dos melhores que passaram pelo Bayern. Quando alguém como ele diz algo assim sobre você, você fica muito feliz, naturalmente. Por outro lado, Mehmet também foi muito importante para mim porque me passava bolas com frequência. Foi só por isso que pude marcar tantos gols.

fcbayern.de: Qual foi a melhor equipe do Bayern com a qual você jogou?

Pizarro: (pensando) É difícil dizer. Todas as equipes tiveram muita qualidade. Medindo em títulos, o time da tríplice de 2013 é difícil de superar. A vitória na Liga dos campeões em Londres foi a realização de um sonho para mim e também foi a mais bonita de minhas experiências. Mas nos anos anteriores também foram equipes muito boas. Por exemplo, em 2006, quando conseguimos o Double [Pokal e Bundesliga] pela segunda vez seguida.

fcbayern.de: Suas realizações pessoais não são menos importantes. Seus 176 gols te colocam na nona posição na lista de artilheiros da Bundesliga, à frente de personalidade como Karl-Heinz Rummenigge, Uwe Seeler ou Dieter Hoeneß. Quão importante é isso para você?

Pizarro: É uma honra estar entre os dez melhores artilheiros da história da Bundesliga! Se continuar jogando na Alemanha, vou tentar melhorar no ranking. A quinta marca ainda está ao alcance (Ulf Kirsten, 182 gols).

fcbayern.de: Você também é o maior artilheiro estrangeiro de todos os tempos na Bundesliga. Você pensou alguma vez em jogar tanto tempo na Alemanha?

Pizarro: Nem um pouco! (risos) Mas em algum momento você começa a se preocupar com as estatísticas, como a de maior artilheiro da história. As pessoas vieram até mim e disseram: “você pode se tornar o maior artilheiro estrangeiro da história da liga”. Em algum momento superei Giovane Élber, que detinha o recorde até então. Ele ficou feliz por mim. (risos)

fcbayern.de: Quando você chegou a Alemanha, em 1999, para jogar pelo Werder Bremen, você era apenas um jovem de 20 anos. Quão difíceis foram os primeiros meses aqui?

Pizarro: No começo, não me concentrei tanto na cultura nem no idioma. No começo, o futebol era o mais importante para mim. Era para isso que eu estava aqui! Mas depois de quatro meses comecei um intensivo para aprender a cultura e o idioma. Era muito importante.

fcbayern.de: Você teve saudades de casa muitas vezes?

Pizarro: Às vezes. Não foi um tempo fácil. Até então eu nunca tinha visto a neve. De repente, tive que jogar futebol sobre a neve! Ailton me ajudou muito, jogamos juntos naquela época no Bremen. Ele falava espanhol muito bem. Nós mantemos contato até hoje.

fcbayern.de: Como você mudou nestes anos na Alemanha?

Pizarro: Antes de tudo, falo alemão melhor (risos). E colecionei muitas experiências. Você aprende muitas coisas no futebol. E também através da outra cultura que prevalece aqui. Eu aprendi muito com os alemães e com o futebol alemão.

fcbayern.de: Ao mesmo tempo, você é “mais alemão que os alemães”, como disse uma vez sua esposa, Karla. O que faz ela te definir assim?

Pizarro: Há coisas que foram se tornando mais importantes para mim e que, no começo, eu não prestava tanta atenção: a pontualidade e a ordem, por exemplo. Eu era um moleque, como Uli Hoeneß sempre disse. E eu ainda sou. Mas com mais experiência. (risos)

fcbayern.de: Felix Magath falou de você, com grande estima:  “Claudio poderia ser um jogador de absoluta classe mundial se tivesse a determinação de estar lá”. Você se arrepende de alguma coisa em sua carreira?

Pizarro: Eu cometi muitos erros, naturalmente. Mas não me arrependo de nada porque, de outro modo, não haveria aprendido muitas coisas. Eu sempre tentei ser tão bom quanto possível. Em qualquer caso, eu me entendi muito bem com Felix Magath. Ele sempre me colocou em boa condição. Com ele, sempre estava pronto. Isso era muito importante para mim.

fcbayern.de: Você foi o maior artilheiro da Copa da Alemanha (DFB-Pokal) e marcou, em quatro ocasiões, o gol do mês na Europa League. O único que falta é ser o maior artilheiro da Bundesliga. Isso te incomoda?

Pizarro: Não, realmente não. Nunca me interessei por isso. Para mim, os títulos com a equipe eram mais importantes.

fcbayern.de: Infelizmente, você não conseguiu participar de uma Copa do Mundo com o Peru.

Pizarro: A Copa do Mundo é algo que sempre tenho na cabeça. Está claro que não será um sonho fácil de realizar para mim. Mas o treinador me disse após a Copa América que ele ainda precisa de mim. Se ainda seria suficiente para uma Copa do Mundo é algo que não posso dizer. Devo pensar a curto prazo e primeiro quero encontrar um clube. Em seguida veremos o que acontece.

fcbayern.de: Você diz com frequência que gostaria de permanecer com sua família em Munique após encerrar a sua carreira. O que você mais gosta na cidade?

Pizarro: Tudo! Nos muito bem aqui, conhecemos muitas pessoas aqui. O mesmo se aplica aos meus três filhos, e isso é especialmente importante para mim. Eles nasceram na Alemanha, conhecem a cultura e tem seus amigos aqui. Esse é um dos pontos cruciais. No entanto, eles não devem esquecer da língua espanhola. É por isso que em casa só falamos espanhol.

fcbayern.de: Você já em planos profissionais para quando terminar a sua carreira?

Pizarro: Queria poder fazer algo no Bayern, vamos ver. Primeiro quero seguir jogando um pouco mais. Depois talvez eu e o clube conversaremos sobre o assunto.

fcbayern.de: Você é um apaixonado por cavalos, como Thomas Müller. Um dos seus animais se chama “Oktoberfest”...

Pizarro: A maioria dos meus cavalos no Peru tem nomes de pessoas e coisas famosas. Na Alemanha, também tenho um par de cavalos junto com Thomas e Tim Borowski. Um deles se chama “El Tren” [apelido do atacante do Bayern Adolfo Valencia]. (risos)

fcbayern.de: Já falamos sobre o moleque. O Claudio Pizarro se tornou adulto com o passar dos anos?

Pizarro: Sim, claro. Mas eu acho que uma parte de mim será sempre criança. É o que me mantem jovem. (risos)

 

Entrevista por: Marco Donato

Traduzido e adaptado de FCbayern.de

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Claire Falknor

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  • Posição: Meio-campo
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  • No Bayern desde: Janeiro/2016
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