Guardiola, Bayern e tudo o que está ao redor de sua passagem

Depois de muitos erros e alguns acertos, Guardiola constrói seu Bayern mais consistente (Foto: Getty Images)

 

Em 16/01/2013, uma notícia pegou o mundo do futebol de surpresa. Bayern e Guardiola chegaram a um acordo para que o catalão treinasse o time até o término da temporada 2015-2016.

Àquela altura, muita gente já estava se questionando: “Será que vai dar certo?”; “O time ficará chato de se ver jogar!”, enfim... pouco tempo depois, ainda com Jupp Heynckes, que se aposentara no fim da temporada, a história sendo escrita. A Treble inesquecível, coroando um trabalho de quem havia sofrido tanto nos últimos anos, com goleadas e a consagração de nomes como Robben, Ribéry e Schweinsteiger.

O que já era forte, ficaria ainda mais grandioso. O clube, que anunciara a contratação de Mario Götze próximo ao término da temporada, ainda conseguiu trazer Thiago Alcântara, um pedido de Pep para a diretoria bávara, que foi muito bem aceito.

Muita expectativa foi criada. Tanto pela torcida, quanto pela mídia. Muitos apontavam o clube como o melhor elenco do mundo e que tinha tudo para quebrar o domínio de Barcelona e Real Madrid, quando a pergunta era: “Qual o melhor time europeu?”. Seria a coroação de uma nova-velha potência do futebol. Uma alternativa a quem não gostasse da bipolarização do futebol. Havia ainda alguns que traçavam um domínino bávaro parecido com o da década de 70, na qual o time conquistou 3 UEFAs Champions League.

Entretanto, logo de cara, não foi possível. O primeiro compromisso do Bayern de Pep foi a derrota por 4 a 2 para o Borussia Dortmund, na DFL-Supercup. Até aí, tudo bem. Jogo incial, Pep, ainda que de maneira tardia, veria que era necessário entender o jogo dentro do solo alemão.

A primeira temporada se estendeu, a equipe obteve bons números, mas não convencia a quem via. Era um monstrengo, capaz de vencer jogos, mas sabíamos que não havia aquele pedigree de campeão; aquela vontade na estampada no rosto dos jogadores. O Bayern sofreu em partidas contra times, na época, bem piores. Os jogos contra Arsenal e Manchester United (já com David Moyes) vieram com uma dose de emoção desnecessária.

Enfim, o grande teste. O monstrengo de Pep seria desafiado pela primeira vez. O adversário seria um Real Madrid, que estava voando com Carlo Ancelotti. Muito se falava em Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema; o francês deu a vantagem ao Real no primeiro jogo. Mas a decepção com Pep veio no segundo jogo. Volta, na Allianz Arena, com a torcida acreditando e com uma vantagem fácil de ser revertida, o Bayern terminou o jogo sendo humilhado. 4 a 0, que até hoje é lembrado. Tudo o que o Bayern havia construído, Pep tratou de jogar fora e fazer do seu jeito.

A temporada continuou. Guardiola já havia vencido a sua primeira Bundesliga e conseguiu brilhar. Na final da DFB-Pokal, contra o Borussia Dortmund, o treinador estava com uma equipe desfalcada, testou uma formação com três zagueiros e Müller como único homem de referência e obteve a vitória, ainda que na prorrogação, de maneira suada, Pep ganhou a final. Achávamos que ele tivesse realmente aprendido. Estávamos redondamente enganados.

Para a temporada 2014-2015, Guardiola pegou um elenco cansado. Grande parte dos jogadores havia disputado a Copa do Mundo e o tempo de férias foi mais curto. Resultado? Lesão sobre lesão e um time, que repetia TODOS os erros da temporada passada. A equipe chegou na reta final da temporada com muitos jogadores indisponíveis e sofreu muito com o problema.

A derrota por 3 a 1 contra o Porto era pra ter sido o pior momento da temporada, pois pela primeira vez em anos, o Bayern seria eliminado por um time considerado “inferior” a ele. O fiasco seria enorme, mas, na volta, o time conseguiu fazer uma de suas melhores atuações sob o comando de Guardiola e bateu os portgueses por 6 a 1. 

Na semifinal, novamente o que seria o maior desafio da temporada. Desta vez, o Barcelona. Falar em Barcelona sem falar de Messi é impossível. E Pep foi bem claro: “Não dá para pará-lo”. A declaração provocou a fúria de alguns torcedores e isto é compreensível. Por mais que Messi seja o maior jogador da nossa era, o dever de quem joga contra ele é pará-lo. No primeiro jogo, no Camp Nou, o confronto estava aberto até o primeiro gol de Messi, já com mais de 70 minutos. O caminho era se segurar, para poder resolver na volta. Certo? Errado. O Bayern foi para frente com um jogo suicida e acabou levando mais dois gols. Deixando o confronto morto já no fim do primeiro jogo.

Na volta, o Bayern bateu o Barcelona por três a dois, mas a sensação que ficou foi a de que se não houvesse imprudência no primeiro jogo, a classificação contra o Barcelona do “melhor trio da história” seria possível, mesmo com o time remendado. A temporada foi a pior de Pep pelo Bayern, quando falamos em títulos. Apenas a Bundesliga, embora que com uma campanha muito boa. Os desfalques pesaram quando o clube chegou na maratona de jogos causada por Bundesliga, DFB-Pokal e Champions e a equipe perdeu Robben, na semifinal da Copa da Alemanha, contra o Borussia Dortmund.

Passado os erros, Guardiola conseguiu montar a versão mais consistente dele no Bayern na temporada atual e muito disso deve-se a um brasileiro. Vindo do Shakhtar, Douglas Costa foi a grande cartada do treinador no último verão europeu. E ela deu certo. Quando esteve sem Robben e Ribéry, o brasileiro foi a grande válvula do time, que fez o que faltou à equipe no fim da última temporada: jogo em velocidade. A vinda de Vidal também colaborou com o time, entretanto, a chegada do chileno teria sido uma das causas para a saída do treinador.

Fato é que o time de Pep teve duas derrotas na temporada, para Arsenal e Borussia Mönchengladbach. A derrota para o Gladbach mostrou que,por melhor que a equipe seja, ainda não é a equipe perfeita. Falta algo.

Analisando friamente, Guardiola teve mais efeitos negativos dentro do clube do que positivos. Criou atritos com jogadores, como Mario Mandzukic, fez uma equipe médica lendária dentro do clube ser dissolvida, dando ultimato à diretoria. Outro aspecto agravante: não aprendeu em nada com os erros de temporadas anteriores, fazendo com que os adversários saibam como a equipe pode se tornar uma presa fácil. E claro, sempre a mesma impressão de que os jogadores não entendem o que ele quer no campo. Sempre a mesma falta de sintonia entre jogadores e treinador.

Mas, Pep não foi de todo negativo dentro do clube. A evolução de jogadores como Boateng e a consolidação de que Philipp Lahm é um dos grandes futebolistas (não disse lateral e não disse defensor. Ele é um grande jogador de futebol) que o Bayern teve no século, sendo útil nas laterais, no meio-campo e até no setor ofensivo. Mas, sem dúvida, a maior herança que Guardiola deixará ao clube será Thiago Alcântara. Jogador diferenciado, com extrema técnica, que faz o difícil parecer fácil. O jogador, mesmo sendo extremamente amigo do treinador, confirmou que não sairá do clube tão cedo. Grande parte das goleadas do Bayern coincidiu com performances de alto nível do jogador da seleção espanhola.

Certezas para o futuro: Bayern não terá tão cedo um treinador que queira se aparecer e que seja tão vaidoso quanto Pep. Com Ancelotti vindo, deve se tornar um time menos exposto, o que deixa a equipe com mais dificuldade de ser batida. E, com certeza, terá um adversário que consiga jogar de igual para igual em solo inglês. Guardiola deve ir para a Inglaterra e ele conhece mais os jogadores bávaros do que qualquer um. Seria um embate interessante.

 

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Carina Wenninger

Carina Wenninger

  • Posição: Zagueira
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  • No Bayern desde: Julho/2007
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